Maria, modelo de comunicação

Desta feita, o tema proposto pelo Miguel Mendes à equipa redatorial do Godzine — Mãe, Maria a mãe de Jesus, ou falar apenas do papel da maternidade, do que é ser mãe — apanhou-me em contramão.

Não porque não seja fácil falar, escrever, sobre a mãe. Mas confesso que paralisei com a ligação entre mãe e comunicação.

  1. Poderia reflectir sobre os modelos de mãe que nos são apresentados nas séries televisivas e na publicidade, o que seria um exercício interessantíssimo, mas depois do breve bloqueio mental, surgiu de imediato um aspecto peculiar sobre as referências a Maria, mãe de Jesus, nas homilias, discursos Papais e documentos do magistério. Por exemplo, quando na homilia se faz uma referência a Maria é, regra geral, sinal que o sacerdote está finalizar a reflexão. O mesmo se pode dizer a propósito de discursos ou documento eclesiais. Não acreditas!? Tens uma encíclica aí à mão, uma exortação apostólica, uma Nota Pastoral? É verdade, não é!? Como vês, na comunicação mais institucional da Igreja, Maria dá um jeito imenso para encerrar em chave d’ouro. Pelo menos é o que parece.
    Com isto não quero dizer que lhe esteja reservado um lugar menor. Nem muito menos que seja desconsiderada. Talvez estejamos mais perante um tique eclesiástico inconsciente. E digo inconsciente porque a verdade é que Maria, na comunicação da Igreja, sempre ocupou um lugar central e, em algumas circunstâncias, até excessivo.
  2. Na Saudação Introdutiva do Papa Francisco à Vigília Mariana (12 de Maio de 2017), o Santo Padre questiona os peregrinos e questiona-nos em que Maria acreditamos: «Qual Maria? Uma “Mestra de vida espiritual”, a primeira que seguiu Cristo pelo caminho “estreito” da cruz dando-nos o exemplo, ou então uma Senhora “inatingível” e, consequentemente, inimitável? A “Bendita por ter acreditado” (cf. Lc 1, 42.45) sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma “Santinha” a quem se recorre para obter favores a baixo preço? A Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja orante, ou uma esboçada por sensibilidades subjectivas que A vêem segurando o braço justiceiro de Deus pronto a castigar: uma Maria melhor do que Cristo, visto como Juiz impiedoso; mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por nós?».
  3. Ontem, hoje e sempre, a grande missão da Igreja é a de comunicar bem a beleza e grandeza da nossa fé em Jesus Cristo. E até nisto Maria é modelo, pois ela ensina-nos que a melhor comunicação da fé nasce da escuta atenta, maturada e obediente da Palavra de Deus. Caso contrário o resultado é uma caricatura triste e melada da fé. Mesmo n’Ela!

Marcações: Comunicação e Media

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