Escutai-O!

«Levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, o aspeto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele.

Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predileto. Escutai-o.» (Lc 9, 28-35)

Ao subir o Monte Tabor, Jesus transfigura-se diante de três Apóstolos, falando com Moisés e Elias e, assim, revelando a sua divindade. Os Apóstolos estavam tão deslumbrados com tudo isto que não captam o verdadeiro mistério que estão a viver. Pedro diz mesmo: “Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias” (v. 33). “Ele não sabia o que estava a dizer” (v. 34), pois colocava Jesus ao mesmo nível que os dois grandes personagens de Israel. Os três teriam uma tenda para cada um. Jesus não tem ainda o lugar central para eles.

Mas ouve-se, entretanto, a voz de Deus que revela a identidade de Jesus: “Este é o meu Filho predileto. Escutai-o.” (v. 35). Jesus não ocupa o mesmo plano que Moisés e Elias. É a Jesus que devem ouvir e a mais ninguém. A Sua Palavra é a única decisiva e todas as outras apenas nos levam até Ele.

É importante recuperar na vida de cada discípulo de Jesus e de cada comunidade cristã o gosto e o zelo pela escuta e vivência da Palavra de Deus. Oo Sínodo de Lisboa, que ocorreu em dezembro de 2016, lançou esse desafio: “Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé”. Na Constituição Sinodal ficou o repto: “A Palavra de Deus tem uma importância nuclear na vida da Igreja, no percurso de fé dos crentes e na construção da sua própria personalidade. Ela faz nascer a Igreja e desperta a fé em cada momento da vida. É urgente recolocar a Palavra de Deus no centro das comunidades cristãs, mobilizando os recursos necessários para que seja conhecida, escutada, meditada, rezada, celebrada, cantada, vivida, testemunhada e bem proclamada” (CS 38).

Também o Papa Francisco, na sua mensagem para a Quaresma deste ano, desafia-nos a escutar a Palavra de Deus e a dar-lhe primazia porque “a Palavra é um dom”, Diz o santo Padre: “A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”.

A Quaresma é um tempo favorável para escutar de forma mais intensa e atenta a Palavra de Deus. Um discípulo de Jesus ou uma comunidade cristã que sabe escutar cada domingo esta Palavra numa atitude de conversão começa a transformar-se. E transformando-se, transforma o mundo!

Pede-nos o Papa Francisco: “A Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.”

Aprendamos com Maria, a humilde serva que escutou a Palavra de Deus e a guardou no seu coração (cf. Lc 2, 19). Por isso, tornou-se feliz entre todas as gerações (Lc 1,48) e partilhou a sua felicidade connosco, dando-nos, pelo seu sim, o Salvador do mundo, Aquele a quem devemos escutar e seguir!

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