Encontro e testemunho

«Jesus chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacob tinha dado ao seu filho José. Ficava ali o poço de Jacob.

Então Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber» Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Disse-lhe então a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» É que os judeus não se dão bem com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!». Disse-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias, que é chamado Cristo, está para vir. Quando vier, h de fazer-nos saber todas as coisas» Jesus respondeu-lhe: «Sou Eu, que estou a falar contigo». Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram nele devido às palavras da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.» Por isso, quando os samaritanos foram ter com Jesus, começaram a pedir-lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias.» (Jo 4,5-10; 25-26; 39-41a)

Vivemos um momento único nas nossas vidas, ao celebrarmos em maio o centenário das aparições de Fátima, bem como a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta. Por isso, gostava de partir da passagem da samaritana e fazer um paralelismo com a mensagem de Fátima a partir de umas catequeses do Santuário.

Na verdade, o nosso Deus é um Deus que vem ao encontro da humanidade para dar “água viva” a quantos estão sedentos de uma vida plena e verdadeira. Em Fátima, Nossa Senhora abre um espaço luminoso para esse encontro com o Senhor. Pelas suas mãos os pastorinhos descobrem-se conhecidos e amados pelo próprio Deus e tomam-se, como aquela samaritana, testemunho dessa Luz para os outros.

A mensagem das aparições na Cova da Iria, como dizia a Irmã Lúcia, pretendem sobretudo fazer crescer na fé, na esperança e na caridade; um crescimento que se realiza através de uma profunda experiência de encontro com Deus e de um fervoroso zelo pela salvação da humanidade. Por isso, Fátima ensina-nos três lições:

  1. Dispor-se para o encontro. A samaritana foi ao poço para buscar água. No diálogo com Jesus, ali sentado, é a samaritana que chega a pedir «dá-me dessa água». O Senhor quer encontrar-se também connosco, e por isso suscita em nós esse desejo de algo mais, algo que dê sentido à vida toda. Os pastorinhos tomaram-se sedentos de Deus e aprenderam a procurá-lo através do Coração Imaculado de Maria. A Jacinta exprime bem esse desejo ao dizer: “Tenho tanta pena de não poder comungar em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria!» Terei eu esse desejo ardente de me encontrar com o Senhor? Estou atento à sua presença no meu dia-a-dia, ou vivo superficialmente, fechado no meu mundo?
  2. Conhecer o Senhor pelas mãos de Maria. A Samaritana testemunhava que Jesus era o Messias afirmando: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». Na verdade, todo o encontro foi um conhecimento mútuo pois também Jesus se deu a conhecer. Disse-lhe Ele: «Sou Eu, que estou a falar contigo.». Segundo nos conta a Irmã Lúcia, ela e os dois primos puderam conhecer e experimentar a presença da Santíssima Trindade na luz que saía das mãos de Nossa Senhora. É este Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, e que se entrega por nós na cruz e em cada Eucaristia, que Nossa Senhora nos dá a conhecer. Por isso a Igreja a vê como Mãe e como modelo na fé, na esperança e na caridade. Os pastorinhos compreenderam esse mistério pelo qual o Coração sem mancha de Maria é caminho de santidade. Procuro crescer no meu conhecimento de Deus através da oração e da vida dos sacramentos, ou imagino um deus segundo as minhas conveniências? Confio-me a Nossa Senhora e sigo-a no mesmo caminho de santidade?
  3. Deixar que o encontro conduza ao testemunho. A alegria da samaritana transborda de tal maneira no seu coração que tem de ir anunciar aos outros. Aquela mulher já não tem medo de falar e de se expor diante daqueles que também deveriam conhecer bem o seu passado. Mais ainda, essa história de pecado, agora redimida, torna-se sinal para os outros. A alegria do encontro com Jesus supera os seus limites e a sua pequenez e ela descobre que é capaz de uma missão tão grande como a de anunciar a Luz de Cristo. Algo semelhante acontece com a Lúcia, o Francisco e a Jacinta: crianças simples de uma aldeia pequena que se tornam «candeias que Deus acendeu para iluminar o mundo nas suas horas sombrias e inquietas» (S. João Paulo II). Estou consciente de que nenhum defeito ou limite que tenho pode ser desculpa para não falar de Deus através das minhas atitudes, gestos e palavras? Sou portador da alegria e da paz próprias de quem se encontrou com a pessoa de Jesus?

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