... 8, 9, 10! Prontos ou não, aqui vou Eu!

Imaginem o que seria jogar às escondidas com Jesus! Já está? Agora imaginem o que seria jogar às escondidas com Jesus no Tempo da Quaresma. Ok?

Foi este o desafio que fiz ao meu filho mais velho. Se me pedem para falar sobre a família, desta vez não o farei. Aquilo que farei será apresentar-vos um dos elementos da minha família. O Daniel tem 10 anos e escreveu assim:

“Todos os anos, na Quarta-feira de Cinzas, Jesus convida todos para jogarem às escondidas. Todos gostam e aguardam por esse dia porque é muito bom estar com Jesus. Nunca ninguém tinha contado o seu esconderijo até àquele dia.

Eu estava a jogar às escondidas com os meus amigos, e isso incluía Jesus (que era o único que sabia o esconderijo de todos). Era sempre impossível escondermo-nos de Jesus porque Ele sabe sempre o nosso esconderijo e guarda-o em segredo. No entanto, todos saíam vitoriosos quando eram capazes de guardar os seus esconderijos em segredo. Jesus também era bastante discreto. E já agora, todos os esconderijos eram bons.

Um dia, o João descobriu um esconderijo extraordinário, mas mesmo muito extraordinário e, com orgulho da sua descoberta, contou à Laura e ao Francisco. Estes, sabendo o esconderijo do amigo, conseguiam sempre encontrá-lo e, enquanto caminhavam para o esconderijo do João, eram seguidos por outras pessoas e por Jesus que estava sempre por ali...”
Pois se na Quaresma somos convidados a praticar boas obras, a orar e a jejuar, há algo que une estas 3 ações descritas no capítulo 6 do Evangelho de São Mateus, escutado na Quarta-feira de Cinzas: guardar segredo e dispormo-nos diante do Pai que vê no oculto.

É frequente cairmos na tentação de revelar os nossos “esconderijos” aos que nos rodeiam, às vezes com a desculpa de termos uma boa história para contar sobre uma pessoa que ajudámos. Mas o nosso enfoque está na história da pessoa, ou no facto de termos ajudado? Ou ao contarmos como estava a correr a manhã, escorrega-nos da boca que passámos pela Igreja e que estava lá o Santíssimo exposto. Importa aqui o Santíssimo Sacramento ou o facto de termos entrado na Igreja?

O orgulho, como referiu o Daniel na sua história, e também a vontade se ser reconhecido, leva-nos a desviar o nosso agir do seu verdadeiro sentido.

O Pai que vê no oculto, o Jesus que conhece todos os esconderijos, conhece o nosso íntimo, conhece o nosso coração e a forma verdadeira e sincera como nos colocamos diante de Si. É este o convite que Jesus nos faz nesta Quaresma, a sermos capazes de nos despejarmos das aparências, a estarmos dispostos a mudar aquilo que ainda nos vai afastando de Jesus. E sim, é escusado tentarmos enganar. Só nos enganamos a nós próprios...

Por fim, quero ressaltar uma expressão utilizada pelo Daniel “... é muito bom estar com Jesus.” Se algum de vós, por ventura, já viveu a alegria deste encontro com Jesus, não tenha medo de falar dele. O exercício seria tomar consciência da presença de Jesus não apenas quando se está a rezar, ou quando se está no grupo de jovens, ou quando se vai à missa. Jesus faz parte da nossa vida a cada segundo que passa, está presente na forma como sorrimos, como falamos, como nos vestimos, como respeitamos, como não julgamos, como protegemos a vida, como perdoamos, como ajudamos em casa, no carro, em todo o lado... prontos ou não, aqui vou Eu!

Marcações: Família

Cristo Jovem - Pastoral Juvenil, comunicação e evangelização

Juventude que acredita!
Segue-nos em

LECT'YO