“Lento para a ira”

«O amor é paciente,
O amor é prestável;
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita,
nem guarda ressentimento,
não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa,
tudo crê,
tudo espera,
tudo suporta.»

Seria ousadia da minha parte querer comentar de uma só vez este texto de São Paulo. Olhando com cuidado, o hino à caridade representará um tratado para a vida de um casal, para a relação entre pais e filhos, para estar sempre presente na vida familiar.

Se o dia a dia das pessoas que vivem nas grandes cidades, falo destas por ser a realidade que conheço melhor, é habitado por prazos para cumprir, horas a mais no local de trabalho, filas de trânsito, o estado em que um pai ou uma mãe chega a casa e de um cansaço mental extremo. E ainda irá retomar uma rotina diária de banhos dos filhos, preparar o jantar, trabalhos de casa, mochilas para preparar...

Provavelmente este é o papel que reconhecem ser o dos vossos pais.

Um aparte. Há dias, numa dinâmica levada a cabo num encontro com jovens estava frente a frente com um rapaz de 15 anos. Durante alguns segundos teríamos que falar sobre um tema, e este era: O que faço desde que acordo até chegar à escola. Começou ele: acordo com a minha mãe a chamar-me, passados uns minutos a minha mãe chama-me, depois a minha mãe chama-me... e eu levanto-me... (e seguiu até chegar à escola.) Depois foi a minha vez e já todos estão a adivinhar: Eu levanto-me, preparo as lancheiras... e depois acordo os meus filhos, uma, duas, três vezes... Foi bom este exercício de me colocar no papel do outro.

Retomando o texto, quando no final do dia a família se junta, se as coisas não correm de acordo com o esperado muito facilmente se solta um grito.

O amor é paciente

Aprendi na exploração deste texto realizado na Alegria do Amor que a primeira palavra usada é «machrothymei» e que segundo a tradução grega do texto do Antigo Testamento se diz que Deus é «lento para a ira». “Uma pessoa mostra-se paciente, quando não se deixa levar pelos impulsos interiores e evita agredir.”

Quantas vezes, nas nossas relações, acabamos por descarregar frustrações ou cansaços exatamente com quem não tem a culpa. A única coisa que fizeram foi estar ali ao lado. Bem, não será só isso.

Às vezes os que estão ali ao lado não são os seres perfeitos que idealizamos. A mãe que está sempre com um sorriso na cara, faz a minha comida preferida, me dá tudo o que eu desejo...; o filho que faz sempre os trabalhos de casa, tem notas perfeitas, faz sempre a cama, tem o quarto arrumado...; o marido que lava a loiça, faz o jantar, passa a ferro, tem tempo para os filhos...; e poderia continuar a lista de exigências.

A procura do par perfeito, da relação perfeita, é algo que deve ser colocado de parte. Todos nós somos seres que querem caminhar para a perfeição, que têm um profundo desejo de ser sempre melhores e isso é muito bom. Mas também é muito importante viver com esta consciência de caminho e que esse caminho é feito por mim e pelo outro que caminha a meu lado. E cada um faz o seu. O outro não tem que fazer nem o meu caminho nem a minha vontade.

E voltamos ao final do dia. Aquele em que já alguém nos aborreceu no trânsito, 5 tarefas ficaram por fazer, não estudei tudo o que devia... E a mãe chama-me para por a mesa: AGORA NÃO POSSO! TENHO QUE ESTUDAR! E o filho tem a roupa suja no chão e não dentro do cesto: JÁ TE DISSE QUANTAS VEZES PARA PORES A ROUPA DENTRO DO CESTO! E o marido diz para a mulher: AGORA??!!! ACABEI DE ME DEITAR NO SOFÁ!!!

Por isso, e por que ninguém é perfeito, o Papa Francisco aconselha a que todos trabalhemos a paciência, a que deixemos de usar como recursos para conseguirmos os nossos objetivos «Toda a espécie de azedume, raiva, ira, gritaria e injúria...»(Ef 4, 31)

Desta vez, é este o exercício que vos proponho, de resprirar fundo, contar até 10, 20 ou 30 antes de proferir uma palavra quando algo nos desagrada.

Marcações: Família

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