O Silêncio

Este texto aparece no início do tempo santo da Quaresma. É um tempo forte em que somos desafiados pela mãe Igreja a reforçar a nossa relação de amizade com Jesus. Para teres uma quaresma mais frutuosa vou propor-te um exercício: o Silêncio!

Conta-se que certo dia um rapaz foi ter com um monge eremita e lhe perguntou: “O que ganhas tu com a tua vida de silêncio”? O monge, que estava a tirar água do poço, disse ao rapaz: “Olha para o fundo do poço e diz-me o que vês”. O rapaz olhou e respondeu: “Não vejo nada. Apenas água agitada”. Ficaram depois um tempo em silêncio, somente a olhar a água. A um determinado momento o monge disse novamente: “Olha para o fundo do poço e diz-me o que vês”. O rapaz respondeu: “Vejo-me a mim mesmo, espelhado na água”. Então o monge concluiu: “Já percebeste? Quando a água está agitada não vemos nada. Mas quando tudo está sereno consegues ver-te. É esta a experiência do silêncio: o homem descobre-se a si mesmo”!

A experiência de fazer silêncio, para nós que somos homens de oração, é fundamental. Antes de mais o silêncio é uma experiência pessoal, pois ninguém pode fazer silêncio por mim. Porque o silêncio permite acalmar as águas do meu coração para me poder ver tal como sou. É uma experiência fundamental porque está na base de toda a oração. É uma experiência original porque está na origem de toda a oração e da vida do espírito. Mas é também uma experiência difícil pois o mundo que nos rodeia está em constante barulho e porque dentro de nós há tantas vozes, tantos pensamentos, tantos medos que nos preocupam. Mas o silêncio é, sobretudo, uma experiência necessária. Como dizia São Bento, “o silêncio é a corrente do mar da oração”!

Que atitudes podes então ter para poder fazer silêncio? Deixo-te algumas sugestões:

  • Passividade\atividade: são as duas necessárias. Trata-se de viver a passividade para que Deus possa atuar em ti, mas ao mesmo tempo estar ativo para compreender a sua ação.
  • Gratuidade: Pode parecer que quando fazes silêncio estás a perder tempo, mas não! Trata-se da gratuidade da tua relação com Deus. Tu dás o tempo, Ele dá a graça!
  • Humildade: entra em silêncio reconhecendo que és limitado, que não vais conseguir à primeira, que precisas de tempo para te habituares. Assim terás o coração aberto ao dom de Deus.

Depois de teres convencido o teu coração a praticar estas atitudes de silêncio, convido-te a um exercício prático.

  • Coloca-te numa posição comoda. Que o teu corpo não sinta mal-estar nem dor alguma. A posição do corpo favorece a oração pois coloca-o em harmonia com a alma.
  • Escolhe um versículo da palavra de Deus (de um salmo, por exemplo) e saboreia-a como se fosse um rebuçado. Deixa-a na boca durante o tempo que for necessário para que sintas o seu gosto, a sua doçura. Compreende que é uma palavra especial, dita para ti, hoje!
  • Entra na luta! A oração do silêncio é uma luta entre a tua vontade de fazer silêncio e os pensamentos e distrações que te vão assolar constantemente. Quando estes pensamentos e distrações aparecerem, não dialogues com eles. Toma de novo o rebuçado e saboreia-o mais um pouco. Repete o versículo da palavra de Deus que escolheste. Não te deixes vencer!
  • No final, nunca te esqueças de passar o que rezaste para a vida. Não deixes que a oração se esgote no silêncio mas transforma-a num propósito, concreto e verificável, para poderes viver melhor.

Boa Quaresma! Experimentando o silêncio. E nunca te esqueças: “o fruto do silêncio é a oração, o fruto da oração é a fé, o fruto da fé é o amor, o fruto do amor é o serviço, o fruto do serviço é a paz!” (Santa Teresa de Calcutá). Tudo nasce da tua vontade de fazer silêncio!

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