Mysterium Maternitatis

“Às 19 horas do Afeganistão, eram 15h30 em Lisboa, os Estados Unidos lançaram uma bomba M.O.A.B. no distrito de Achin, (junto à fronteira com o Paquistão) para destruir túneis subterrâneos usados pelo Estado Islâmico. Estava lançada, pela primeira vez na História, a «Mãe de Todas as Bombas».”

Ao ler este início de artigo do Observador no dia 13 de abril passado, fiquei estupefacto. Como pode alguém chamar mãe a uma bomba? Está-se a desvirtuar o que a mãe tem de mais precioso: a capacidade de dar vida. Uma bomba não dá vida. Uma bomba consome a vida. Ou seja, uma bomba é a negação da maternidade. O Papa Francisco frisou isto mesmo na audiência geral do dia 7 de maio: “Eu senti-me envergonhado com o nome de uma bomba: a mãe de todas as bombas. Mas a mãe dá vida e esta dá morte. E chamamos mãe àquele engenho? Temos mesmo de nos perguntar: o que está a acontecer no mundo?” Era sobre isto que gostava de refletir neste texto: a maternidade!

Sobre a maternidade todos podemos dizer muitas coisas mas ninguém conseguirá dizer tudo.
De maternidade fala o silêncio, os rostos, as histórias de tantas mulheres que, muitas vezes, não conseguimos contemplar com a maravilha que merecem.
De maternidade grita a dor de quem perde ou se escandaliza. A dor da saudade que pode ser desconcertante.
De maternidade sussurra a natureza, quando em silêncio faz germinar a vida.

A maternidade é dos mais belos mistérios.
Maternidade da vida – que nos precede e supera e por isso é sempre mãe.
Maternidade da terra – que para dar vida se deixa rasgar e ferir.
Maternidade da mulher – que se entrega à vida nova que em si gera.
Maternidade de Maria – que aos pés da cruz sofreu as dores do parto em que nascemos nós, Igreja de Cristo.

Mas o mistério maior é o da maternidade de Deus.
Sim, porque Deus é misteriosamente materno como cada mãe é misteriosamente divina.

A maternidade é dos mais belos mistérios. Não porque oculto, mas por ser capaz de conter o tudo num fragmento. O sentido do infinito no real. A densidade de existir no sorriso que se abre à novidade.

A maternidade chega primeiro da fé.
A mãe espera antes de encontrar;
Dá à luz antes de batizar;
Alimenta antes de levar à comunhão;
Cuida... preparando para o morrer e ressuscitar.

A maternidade chega primeiro da fé.
Mas a fé dá um sentido sempre novo à maternidade.

O Papa Francisco propõe-nos uma “revolução da ternura”. Desde o inicio do seu pontificado que nos faz contemplar as vísceras de misericórdia de Deus que nada mais são que o seu ventre fecundo que faz nascer os seus filhos à vida...e à vida nova.
Esta revolução pode ser atuada sobretudo olhando à beleza e à inigualável grandeza da maternidade.

Depois de tudo isto. Alguém ainda tem coragem de chamar mãe a uma bomba? Estou convencido que não.
Mas a maternidade é uma bomba... uma bomba que não destrói mas que semeia no mundo algo que nos dá alento: a esperança contida em cada novo ser.

Deixemos explodir a maternidade.
Que exploda e preencha cada canto da terra e cada pessoa com a esperança que não morre.
Porque a vida não morre.
Porque haverá sempre uma mãe capaz de, à imagem de Deus, fazer nascer VIDA!

E para terminar um pequeno exercício. Lê, medita e contempla os versículos cheios de vida que se seguem. Deixa-os ecoar no teu coração para te sentires abraçado pelo carinho maternal do nosso Deus.

“Como a mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei...” (Is 66, 13)
“...estou sossegado e tranquilo, como criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada!” (Sl 131, 2)
“Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o Senhor há-de acolher-me.” (Sl 27, 10)
“Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria.” (Sl 49, 15)

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