O grande desafio do sínodo: escutar todos!

Para quem tem seguido, nos últimos meses, os “debates” no campo da Pastoral Juvenil sabe que não se fala de outra coisa: o Papa convocou um sínodo centrado nos jovens e na sua relação com a fé e o discernimento da própria vocação.

Todos os que damos a vida por este ideal da Pastoral Juvenil estamos entusiasmados mas a verdade é que podem existir alguns “perigos” na preparação e na celebração deste Sínodo.

O primeiro “perigo” está no facto de que quando se fala da relação entre os jovens e a Igreja normalmente escutamos somente os que “estão perto”, os que frequentam percursos de formação e ambientes eclesiais. Mas a verdade é que estes representam, quer em número quer em opinião, uma minoria dos jovens do mundo. O segundo “perigo”, este mais interno, é o de limitarmos a reflexão deste sínodo à Pastoral Juvenil e aos grupos que giram à volta desta realidade da Igreja e não envolvermos toda a comunidade cristã nesta reflexão. Qualquer uma destas duas maneiras de fazer seriam erradas e não espelharia a maneira de pensar do Papa Francisco quando convocou este sínodo. Do meu ponto de vista, tem faltado na Igreja e na Pastoral Juvenil um diálogo belo e construtivo entre gerações.

Por um lado, os jovens precisam dos que já caminharam antes deles. A fé e a vocação não caiem do céu mas constroem-se no encontro (e ás vezes no confronto) com gente adulta na vida e na fé e com a própria comunidade a que se pertence. É neste encontro e neste diálogo que os jovens podem compreender como encontrar razões de vida e de esperança, como tornar-se protagonistas da própria vida, como ajudar o mundo a encontrar novos caminhos e aprender de quem, antes deles, tomou decisões definitivas na vida e hoje é feliz.

Por outro lado, a Igreja precisa dos jovens. Não tanto para mitigar a extinção de comunidades cristãs ou para colmatar a “falta de vocações”, mas para que sejam, hoje, testemunhas credíveis do Evangelho da Alegria. Os jovens, graças à capacidade inata de aprender sempre mais, são os que melhor conhecem as linguagens dos nossos tempos. São eles que podem tornar o Evangelho acessível a todos.

Um dos grandes desafios do Sínodo, no meu entender, é o de tentar repropor o encontro de toda a Igreja com os todos jovens! É toda a comunidade cristã que se deve interrogar, com a ajuda do documento preparatório e de outros meios, acerca da sua relação com os jovens de hoje. É toda a Igreja que deve interrogar-se sobre o modo como está a acolher e a dar protagonismo aos jovens de hoje e de que forma está a investir energias, ideias e vontade nas novas gerações.

Sim, este é um sínodo sobre os jovens e para os jovens. E tem de ser um sínodo sobre todos os jovens e para todos os jovens. Dos que estão nos grupos de fé até aos que negam Jesus e atacam a Igreja. Dos jovens que animam Campos de Férias católicos aos jovens marginalizados. Dos jovens que entregam a vida no voluntariado aos que a gastam na diversão desenfreada e sem sentido.

Este é o desafio lançado à Igreja e à Pastoral Juvenil e Vocacional pelo Papa Francisco: o desafio da escuta. Escutar os mais novos e os mais velhos. Os mais próximos e os mais afastados. Somente assim seremos capazes de criar pontes e de interpretar “ss alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos jovens de hoje” (Cf. GS, 1)

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