Uma Quaresma a saber a terra

Iniciamos por estes dias o tempo da Quaresma. Um tempo que nos convida a sair, a nos colocarmos em movimento. Podemos dizer que é um tempo dinâmico porque buscamos, procuramos e descobrimos. No entretanto, entendemo-nos como cultivadores da nossa vida, da nossa família e da nossa comunidade.

Já ninguém prepara o caminho que devemos percorrer até Jesus, é o próprio Jesus que prepara o caminho que fazemos juntos. Basta que recordemos o ponto em comum, entre o Evangelho de Marcos, no segundo domingo do Advento, e o Evangelho de Mateus, logo no primeiro domingo da Quaresma. Falamos do deserto, da capacidade de superá-lo. O deserto é o local árido da tentação, mas também o da oportunidade, o da travessia para a Terra Prometida.

O segredo é não nos permitirmos cair na tentação do facilitismo. Na tentação de tentar plantar um deserto com árvores sustentadas por vasos de terra fértil, escondidos por entre os grãos da areia.

É que a Quaresma pode-nos saber a terra, mas este tempo fala-nos de como podemos voar, de como podemos saciar as necessidades do caminho.

A nossa vida é povoada pela presença silenciosa de Deus. Podemos contar todos os dias com a Sua providência. Esta forma de atuação de Deus na nossa vida é pessoal. É uma força motriz, um íman para toda a comunidade que, sem entender como, aproxima-se a Cristo. A providência leva-nos à conversão, a nos voltarmos para Cristo que quer Ressuscitar na manhã da Páscoa da nossa vida.

Deus finalmente sai do perímetro dos Sacerdotes no Templo e, porque nasceu entre pastores, continua a fazer connosco o caminho de cada Homem, no campo, mas também nos dias de desertos silenciosos que angustiam.

Ao cristão não é pedido apenas que seja filantrópico, mas é antes pedido, uma atitude constante de caridade, como forma de uma vida que está em alerta. Uma forma de vida que contagie e que se baseie na atenção pela sua relação com Deus, com os outros e consigo mesmo. Como refere Halík, a nossa necessidade de ser, a nossa liberdade desagua numa total indigência, como uma opção necessária.

A indigência nos capacita para o viver da paz e em paz, num abraço contínuo de resgate, numa contínua gramática de reencontro. É a Fé que fecunda toda a nossa ação caritativa e que nos faz reconhecer como irmãos aos que apresentam a sua face perante a nossa, iluminados pela luz do amor de Deus, aos quais devemos estar atentos.

O quotidiano é tão humano e nós sempre tão impreparados para podermos responder às suas mais profundas questões.

Marcações: Latitude Longitude

Cristo Jovem - Pastoral Juvenil, comunicação e evangelização

Juventude que acredita!
Segue-nos em

LECT'YO