A maternidade da fé

A fé, para quem é agraciado por este dom, é uma espécie de maternidade que nos guia na vida.

Se é a mãe que nos faz conhecer a luz do mundo, é a maiêutica da fé – a nossa própria ressurreição – que nos faz voltar a estar na vida, com atenção e equilíbrio, também em espera, do muito que ainda podemos ser.

A ressurreição faz-nos habitar em Deus, como uma estalagem de luz, que acolhe a quem se predispõe a caminhar sem ter medo da sua carne. Na oração, encontramos a pátria como um lar a que nos convidamos estar, com um átrio que nos desinstala, comum a estrangeiros.

Como ressuscitamos? Ninguém sabe...

A identidade – como quem diz, a ressurreição – vem-nos de noite sem que saibamos. Acontece que, acordamos, e damos conta que já nascemos, parecendo ser sempre demasiado tarde para tudo aquilo que ainda queremos ser. Não é possível sermos nem estarmos antes de nascermos ou ressurgirmos. Um peregrino move-se em Deus, vive no horizonte, naquilo que pode enxergar, na esperança do que poderá alcançar depois do que consegue imaginar.

Talvez seja pelo exercício da escuta que atenta e que nos leva a um futuro que do qual nunca tínhamos ouvido falar, ou talvez pelo desejo que nos faz participar da encruzilhada divina. O silêncio é a mais profunda forma de Deus: um mistério, que se conhece, embora não se o saiba bem sitiar.

Maria é esta encarnação que “viveu só para amar”, que “escuta as nossas preces e que nos espera” como canta Sobral. A vida dos Pastorinhos é um silêncio que transborda Deus. As suas vidas são uma atualização despojada e simples do mais alto que um dia poderemos ser, depois de tantas mudanças, numa semelhança mais concreta e autêntica com Jesus.

De resto, a “Senhora vestida de luz” é farol que se mostra a todos nós, que nos faz ver a realidade criativa de Deus com base nas nossas vidas. Só poderemos entender Deus quando soubermos guardar os nossos próprios rebanhos com a paciência despida de tudo o que é artificial, que nos leva a juntar as mãos numa simbologia exclamativa que diz “meu Pai do céu” e nos abre à Sua vontade de se revelar. Os Pastorinhos compreenderam o discipulado pedido para as suas vidas, sem que para isso se prendessem ao procurar um mar da Galileia ou o Lago de Tiberíades.

O que une os Pastorinhos de Fátima e os Discípulos que correram até ao sepulcro, é aquilo que também nos move: a procura pela verdade que dá sentido às nossas vidas.

E, como peregrinos que certamente somos de Fátima, coloquemos como o Papa Francisco, “nas mãos da Virgem o nosso destino, suplicando pela sua intercessão e bênção do céu.”

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