Toda a viagem é uma peregrinação interior

Termina o verão, passamos à quotidiana disponibilidade para os ritos, costumes, afazeres e responsabilidades. Retornamos às terras e às ruas que nos acompanharão por mais um ano. O ciclo anual da vida repete-se, em contínuos renovamentos.

Deixamos as praias e as areias que nos confortam depois de um período frio de labuta. Voltamos ao silêncio que nos confronta, que dinamiza a nossa vida interior, do nosso coração. Os ruídos das músicas e dos festivais vão desaparecendo, as estradas que nos levam às residências dos amigos, mais longas, os dias, pequenos demais para sermos e estarmos. 

Pascoaes, num poema intitulado “Fome de Deus”, revela bem um sentimento que de quando em quando nos assalta, quando nos apercebemos que durante muito tempo somos apenas areia, feitos de areia, uma espécie de «Um ser miserável,/ ansioso de Divindade,/ a querer libertar-se do mundo,/ a debater-se nas trevas,/ aflito de não atingir/ as regiões etéreas da luz.» Por um novo momento olhamos o Mundo e voltamos a Deus, nesta sede que as férias nos dão, numa gramática de saudade, porém, nunca de saudosismo.

O Outono se aproxima

Porque «Viver é queimar a vida,/ transformá-la em calor/ e claridade» e esta claridade tem de ser dada aos outros, a quem alumiamos e talhamos caminho, protegemos e educamos.
As folhas das árvores caem, como servas que cumpriram a sua missão.

Permitam-me!

Foi agosto e eu perdi uma avó, uma folha que cumpriu a sua missão, uma vida que me deu claridade com o seu sorriso e com o seu olhar, com a caricia das suas mãos sempre ternas. Nada é mais importante para mim do que escrever sobre tudo isto, dizer que esta vida não foi apenas areia, como a que escorre na ampulheta marcando o compasso do dia.

Toda a viagem é uma peregrinação interior, toda a vida é uma travessia.

Este é, quem sabe, um outono especialmente fecundo. Um agradecimento pela vida das folhas que agora caem, mas que antes foram capazes de nos abrigar do tórrido sol e das vicissitudes da vida. Fechamo-nos entre portas e janelas, abrigamo-nos, e tendemos para o alto.

Ficamos a sós connosco, com aquilo que restou do verão, pegamos na nossa bagagem e atravessamos tudo aquilo a que nos propusermos. Nos passos que marcamos, apenas decalcamos um agradecimento.

A vida, tal como o verão, nunca é em vão. É sempre uma festa!

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