Saber usar as canções na dinamização de encontros de grupos cristãos

Na catequese (ou em qualquer encontro de educação cristã), as canções têm sempre como propósito a expressão da nossa espiritualidade e fé.

Calma: não defendo que apenas se possam cantar músicas do cancioneiro da paróquia. Usar músicas comerciais não merece (muito pelo contrário!) reprovação. O que quero dizer é que cantar implica motivar a ser-se Igreja. Congregamos diferentes elementos em torno de um tema, acertamos ritmos, afinações, para que, no conjunto, a mensagem saia perfeita.

Todos os “catecismos” do itinerário propõem muitas canções ao longo do ano. E ainda bem. Nem sempre os guias deixam indicações sobre como se podem usar para além do início e final do encontro. Deixam passar ao lado o potencial catequético que este recurso tem. Podemos usar as canções como documentos de fé a estudar, meditar, debater, orar....? Sim! Mas, atenção: a canção é o meio, não é a catequese; é um instrumento que usamos para ajudar os catequizandos a atingir os objectivos da catequese.

Escolha acertada

É importante escolher bem as canções e o modo de as usar. Esta escolha depende, por um lado, dos conteúdos da catequese e do momento em que é usada, e, por outro, da idade e do contexto em que vivem os catequizandos.

Que critérios?

Há canções apropriadas para o acolhimento, que pela alegria e movimento, criam relações de qualidade dentro do grupo.

Durante a experiência humana procuramos canções que ajudam os catequizandos a exprimir a sua vivência. São canções que servem como “chaves”, que ajudam os destinatários a tomar consciência da sua situação.

No anúncio da Palavra as canções devem ser um suporte para a Palavra de Deus que queremos anunciar. As letras devem ser retiradas da Palavra de Deus. Ou devem chamar a atenção para os textos bíblicos que pretendemos escutar e assimilar. Ou ainda, devem tornar presente a mensagem de amor que Deus tem para toda a humanidade. Nota: As canções deste tipo não se devem substituir à leitura do texto bíblico.

Durante a expressão de fé as canções podem ser suporte da oração ou fonte de inspiração para novas atitudes de sabor evangélico ou símbolos de maior pertença ao grupo.

Esta “catalogação” nem sempre é evidente, porque há canções que podem servir para vários momentos catequéticos.

O que fazer?

O tipo de exploração que se faz de uma canção depende muito dos fins do encontro. Alguns objectivos comuns:

  • Sensibilizar a um tema;
  • Interiorização e reflexão;
  • Comunicação interpessoal;
  • Aprofundamento do tema;
  • Oração.

O educador cristão ajuda o grupo a estudar uma canção indo “de fora para dentro”, do mais periférico, primeiro, para o mais importante, no final. Começa-se por dialogar sobre se a canção agrada, se o estilo de música é o que se costuma escutar... e só depois se avança para coisas mais “sérias”.

As possibilidades são muitas. Aqui, deixo-te apenas algumas para servir de fonte de inspiração.

Escutar a canção

É a proposta mais frequente. É usado para fazer a transição entre momentos da cate­quese (do acolhimento para a experiência humana, por exemplo) ou para encerrar os encontros. Não é um uso muito interessante. O catequista propõe ao grupo escutar toda a canção em silêncio. Alguns catequistas, com gru­pos mais irrequietos receiam que isso não seja possível. É possível! É apenas uma questão de boa educação e de hábitos que se criam. É sempre bom que todos tenham a letra à frente. Se forem canções propostas pelos catecis­mos, normalmente, ela já lá está. Para outras canções, há que providenciar fotocópias ou um cartaz de onde todos possam ler.

Cantar a canção

Ao cantar a canção, os catequizandos aprendem de memória mais facilmente as palavras e familiarizam-se com os conceitos usados.

Pode ser o catequista a pegar na guitarra e a ensinar o canto ao grupo. Ou, não sendo muito afinado, propõe a canção a partir de uma gravação em CD.

Aprender e cantar um canto é uma actividade catequé­tica interessante só por si. Não haja pressa em analisar e aprofundar; isso deita fora muita da poesia desta experiência. É um desperdício privar os catequizandos da alegria de cantar juntos.

Para aprender um canto, escutamo-lo juntos. O catequista fá-lo ouvir uma vez; depois, os catequizandos repetem o que aprenderam: algumas palavras, um pedaço da melo­dia. Convém que tenham uma versão impressa da letra. Insiste-se em aprender bem o refrão do canto; depois passa-se às estrofes.

Este processo de aprendizagem do canto pode ser asso­ciado às palmas ou (principalmente na catequese dos mais pequenos) aos gestos.

Aprender e cantar a canção ajuda a mensagem a pene­trar nos corações e cria um sentido de unidade dentro do grupo.

Dialogar sobre a canção

Principalmente com catequistas pouco experientes há sempre o risco de usar as canções (como os vídeos) ape­nas para “entreter”, como mais um consumo. Na catequese, usamos as canções como “documentos cate­quéticos” que podem e devem ser estudados, compreen­didos, aprofundados.

Começa-se por pedir aos catequizandos que parti­lhem as emoções que sentiram ao escutar a canção:

  • Que sentimentos surgiram em ti ao escutar a canção?
  • O que te impressionou ou comoveu? De que forma?
  • Depois de escutar a canção, qual é o teu estado de ânimo?
  • Que recordações, desejos, aspirações ou necessi­dades te despertou esta canção? A que é que ela te convida?
  • Qual a primeira ideia que te veio à cabeça ao escu­tar a canção?
  • Sentes-te identificado com a canção? Aceitas ou recusas esta canção? Em que sentido? Porquê?

E pode-se passar para um estudo mais detalhado da letra:

  • O que nos diz, em concreto, o texto da canção?
  • Que título darias tu a esta canção?
  • Qual a frase que consideras mais importante?
  • Indica uma expressão que não entendes (ou com que não concordas).
  • Resume em palavras tuas o conteúdo desta canção.
  • Estás de acordo com o que diz o autor da canção?
  • Que ideias da canção achaste mais interessantes?
  • A música está bem ligada com a letra?

O corpo e a canção

Num encontro semanal de catequese, num retiro, numa celebração, numa aula, pode-se exprimir a interiorização que se fez da canção com o corpo. Com a expressão corporal ou com a dança, a canção torna-se o suporte de um processo de autenticidade muito grande.

A imagem e a canção

O mesmo trabalho de aprofundamento da canção pode ser feito pedindo aos catequizandos que “ilustrem” a canção (e a sua mensagem) a partir de imagens cortadas de revistas, de fotografias, de pinturas...

Rezar com a canção

Principalmente quando a canção (no conjunto letra-música) aponta para a oração, o gesto de a cantar torna-se já uma oração.

Para terminar: A canção tem variadíssimos usos na educação cristã. Mesmo que tu não saibas tocar ou cantar e mesmo que os educandos não gostem das canções sugeridas, é possível usar a música para dinamizar a reunião do grupo.

 


Texto originalmente publicado no livro “Sou catequista e agora”, 2016, Edições Salesianas, Pinheiro, Claudine; Alberto, Rui
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