As músicas do mundo e a fé

"Deus é música!" Poderá ser esta uma expressão feliz para chegarmos a intuir e "tocar" mais a Deus?

Não tenho a pretensão de definir ou até "acorrentar" o nosso Deus Amor. Simplesmente, destacar de tão magnífica expressão do "belo", uma consciência do que só pode ser divino: a música. E esta é, sem dúvida, na sua graciosidade, harmonia, infinitude, exatidão, esplendor e profundidade, uma elevação do ser humano até Deus.

A música como meio privilegiado de "reconhecer a Deus". Partindo da premissa de que a música é um bem incalculável e nitidamente brilhante na vida do ser humano, convido a uma outra perspetiva: poder-se-á evangelizar partindo da música em geral, das músicas do mundo? Ou seja, a música dita "não sacra" tem espaço nas dinâmicas pastorais dos nossos grupos, nos seus encontros? Particularmente a música que tão amplamente é ouvida pelos jovens?

É uma questão que sempre tem gerado opiniões diferentes. Sabemos bem que respostas absolutamente radicais podem criar ruturas. Atrevo-me a considerar as seguintes perspetivas, dando uma mera opinião, não sendo "profissional da música”, para valorizar a música "genérica" no contexto evangelizador dos grupos de jovens.

A música é música, mas na maior parte das vezes os seus autores usam de alguma intencionalidade ao compô-las; por isso, um dos critérios preponderantes na escolha e uso de alguma música "genérica" poderá ser sempre o que se pode conhecer das intenções dos autores e o que se pode "ler entre linhas". E as "letras" das canções são centrais nesta clarividência. Não vá, a música escolhida, estar completamente em oposição com a mensagem que se pretende destacar.

Outro aspeto fundamental são os "destinatários" da nossa evangelização; os grupos que se reúnem têm identidades, tendências, gostos e referências; cuidar da escolha de uma música "genérica" de acordo com esse pulsar dos destinatários parece-me perfeitamente oportuno; poder-se-ia até chegar ao ponto de provocar desconforto ou até incómodo ou ser contraproducente se fosse algo constantemente forçado e desenquadrado.

Um terceiro aspeto a ter em conta, tratando-se de um grupo de jovens, é precisamente o que possam sugerir e referenciar aqueles com quem estamos, dando-lhes protagonismo; não significa que tenhamos que "fazer todas as vontadinhas", mas é bom que possam ser protagonistas na sugestão de bons meios musicais para enriquecer a caminhada do grupo.

Ainda outra questão não menos importante é "o valor acrescentado" que a música escolhida traz ao momento de evangelização; A escolha de músicas "genéricas" convém serem potenciadoras da dinâmica e da mensagem em causa, de forma que sejam um "upgrade" para o encontro; a música é algo brilhante e vibrante que, só por si, pode indiciar essa lógica, no entanto necessita ser verdadeiramente enriquecedora para os ouvintes e fortalecer a espiritualidade e ser envolvente no todo do momento.

Finalmente, uma referência ao género de música; nem todo o "tipo" de música é aconselhável a todos os diferentes momentos e contextos; a música será sempre um meio bom, nunca o fim da oração ou do trabalho de grupo.

Sendo a "música do mundo" algo belo no seu geral, vale a pena fazer dela um espaço e um tempo de encontro com Deus. Mas convém cuidar os processos e seus usos. A música é uma boa intuição.

Agrada-me particularmente, neste contexto, uma frase do fundador dos Salesianos, S. João Bosco: "uma casa sem música é como um corpo sem alma."

Marcações: O Som de Deus

Cristo Jovem - Pastoral Juvenil, comunicação e evangelização

Juventude que acredita!
Segue-nos em

LECT'YO