Halloween? Pão por Deus? Todos os Santos?

O que são e quais as diferenças?

Se Saint-Exupéry acreditava que a linguagem é uma fonte de mal entendidos, não é de todo inconveniente afirmarmos que a desinformação é a fonte de grandes males na nossa vida.

Não se julgue desinformado quem não sabe, mas quem não busca saber, ou quem busca, mas de forma errónea. Na sociedade em que vivemos há uma tendência a profanarmos as tradições e celebrações com estrangeirismos que em nada nos enriquecem. Pelo contrário, desalmam o que de mais genuíno temos e atiram-nos à ignorância das raízes que nos conferem identidade.

Entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro assistimos em Portugal a uma manifestação muito sui generis de celebrarmos um estrangeirismo – o Halloween – misturado com uma antiga e significativa tradição que é o "Pão por Deus" que se insere na mística celebrativa católica do dia de Todos os Santos. Mesmo que agora não seja feriado, é ainda solenidade, dia santo. No dia 2 recordamos, fazemos memória dos Fiéis Defuntos. É desta forma que celebramos todos aqueles que nos precederam na vivência da nossa fé.

O Halloween surge na América do Norte, afirmando-se como um evento tradicional e cultural, tendo por origem as celebrações do povo Celta, remontando-nos ao século III na Gália. Halloween, como o próprio nome pode-nos indicar, realiza-se na véspera de Todos os Santos – 31 de outubro – data esta em que após o pôr-do-sol ocorriam os ritos sagrados em honra de Samhain, marcando assim o final do verão. Os celtas acreditavam que neste dia o Céu e a Terra estreitavam a distância, proporcionando-se uma maior proximidade entre as duas realidades. Seria nesta data que os espíritos dos mortos voltariam para visitarem os seus lares e guiarem os seus familiares até ao outro lado. O Céu era um lugar livre de toda e qualquer dor. Um lugar de felicidade perfeita, onde nem fome, nem algum outro mal existia.

Com a demanda cristã houve uma cristianização desta festa. A partir da quarta centúria da nossa época, a Igreja Síria começa a celebrar o dia de Todos os Mártires. Só mais tarde, no século VII, com Bonifácio IV é que se transforma o Panteão – templo dedicado a todos os deuses mitológicos – num templo cristão, consagrado a Todos os Santos, primitivamente celebrado a 13 de maio. Entretanto Gregório III acha por bem fixar a celebração no primeiro dia de novembro, e já no século IX, Gregório IV ordena que a mesma tenha um carácter universal na sua celebração. Até aqui as Igrejas Orientais celebravam-na no I domingo após o Pentecostes.
Esta é uma importante celebração ecuménica onde se comemoram tanto os santos reconhecidos pela Igreja, como aqueles a quem eles estão ligados, recordando ainda todos aqueles que estão a caminho da santidade total.

É desta comunhão que nasce o "Pão por Deus", estes exercícios caritativos: esmolas para com os mais necessitados em nome das almas dos parentes.

Uma coisa é-nos certa: não é, de forma alguma, fácil ao Homem hodierno imaginar a Vida Eterna dos Bem Aventurados como o conjunto de todos os bens numa ausência total do mal. O que é certo é que o Homem sempre sentiu uma necessidade própria de encontrar Deus, de o sentir de diversas formas. Mantenhamos o que é nosso, o que é Cristão, num tempo em que podemos redescobrir todos estes valores tão necessários à nossa sociedade e à nossa própria vida espiritual.

Marcações: Formação

Imprimir Email

Cristo Jovem - Pastoral Juvenil, comunicação e evangelização

Juventude que acredita!
Segue-nos em

LECT'YO