O Império Romano e o Cristianismo

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro politico-cultural do Império Romano. Durante três séculos, as instituições imperiais perseguiram os cristãos porque a sua religião proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao imperador. Contudo, o Império também trouxe vantagens para a difusão do Cristianismo.

O nascimento e os primeiros passos de desenvolvimento do Cristianismo tiveram lugar no panorama politico e cultural do Império Romano. De facto, durante três séculos, Roma perseguiu os Cristãos. Contudo, o Império não constituiu apenas um factor negativos na difusão da nova religião. Acaba por funcionar como vantajosa a unidade do amplo espaço geográfico, devidamente organizado e em paz, e as facilidades de comunicação favoreciam a circulação de ideias. Uma vez que era possível chegar a praticamente todo o Império através das rotas marítimas do Mediterrâneo ou pelas estradas em excelentes condições, facilitam-se as viagens para a difusão do Evangelho que terão lugar dali em diante. Também a afinidade linguística – o grego e, sobretudo, o latim – facilitava a comunicação e o entendimento entre os novos fieis. Sendo possível cruzar o império por boas vias de comunicação, a difusão tornava-se ainda mais intensa ao existir entendimento linguístico entre grande parte das populações do território.

Apesar destas facilidades, a adesão ao Cristianismo acarretava também dificuldades. No caso dos Cristão procedentes do Judaísmo, rompendo com a sua comunidade de origem, seriam olhados como traidores. Também os pagãos enfrentavam dificuldades na sua conversão: particularmente o que vinham de classes sociais mais elevadas acabavam por ter de deixar de lado o culto a Roma e ao Imperador, importantíssimos na vida pública, sendo considerados infiéis ao Império.

Ainda que o Império fosse tolerante do ponto de vista religioso, aceitando cultos e divindades estrangeiras, acaba por se dar um choque quando Roma exigiu dos súbditos Cristãos o que eles não lhe poderiam dar: adoração ao Imperador, algo que só a Deus poderiam prestar.

Causava uma certa estranheza a nova religião e as suas práticas. Vários pensadores da época descrevem-na como "superstição detestável", "nova e perigosa" e "perversa e extravagante". Os Cristão eram "inimigos do género humano" e eram-lhes atribuídas as mais monstruosas desordens: infanticídios, incestos e canibalismo. Isto por falta de compreensão dos mistérios praticados nos rituais. Considerar que todos eram irmãos e que "comiam o corpo" e "bebiam o sangue", era uma tremenda confusão e repúdio para os pagãos.

Acabando por encontrar nos Cristãos um excelente pretexto para a crise que as instituições atravessavam, entre 303 e 304 são promulgados quatro éditos com o intuito de acabar com o Cristianismo e com a Igreja.


Bibliografia: ORLANDIS, José – História Breve do Cristianismo. Lisboa: DIEL, 1993.
Imagem: Cristãos sendo usados como tochas humanas, na perseguição sob Nero, por Henryk Siemiradzki, Museu Nacional, Cracóvia,Museu Nacional, Cracóvia, Polônia, 1876.

Marcações: Formação

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