Ecumenismo

“Que todos sejam um” (Jo 17, 21)

A palavra ecumenismo tem origem na palavra grega oikouménê e tem como significado “mundo habitado”.

Tendo em conta as várias dimensões em que se pode empregar o ecumenismo, para o Cristianismo este termo concretiza-se como sendo o desejo e o caminho a fazer em ordem a uma unidade anteriormente perdida entre os cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes). Em termos mais concretos, é uma busca mútua através da aproximação e da cooperação para a superação das divisões entre as diversas igrejas cristãs.

Ora, se antes existia a unidade, como se originou a divisão? O desejo de Jesus não era a de “que todos sejam um” (Jo 17, 21)?

Durante o primeiro milénio, o Cristianismo mantinha-se de uma forma geral unido, salvo algumas pequenas divergências e separações. Contudo, no início do segundo milénio assiste-se a uma rutura na Igreja cristã: cisma do oriente. Em 476, com a divisão do império romano em duas partes (ocidental, com capital em Roma, e oriental, com capital em Constantinopla – atual Istambul, na Turquia), as diferenças a nível cultural, político e até religioso são cada vez mais acentuadas levando a uma degradação nas relações entre os bispos de Roma (papas) e os bispos de Constantinopla (patriarcas do Oriente). Com a afirmação da autoridade de um sobre o outro e as constantes disputas a nível teológico, assiste-se, em 1054, a uma fratura que dá origem à Igreja Católica e à Igreja Ortodoxa.

Entre 1378 e 1417 tem lugar outro acontecimento divisório na Igreja – cisma do Ocidente. Durante este período existiam dois papas: um em Roma e outro em Avinhão (França). Esta situação levou a que se gerasse uma certa confusão na mente dos crentes e a autoridade dos papas era posta em causa, até mesmo descreditada. A Igreja estava mais focada em questões políticas e económicas do que nas questões de espiritualidade e de fé. Todos estes abusos da Igreja levaram a que houvesse quem lutasse pela reforma das instituições da Igreja. Neste contexto surge a figura de Martinho Lutero que, com as suas 95 Teses (que levariam à sua excomunhão), dá início à Reforma Protestante. As intenções de Lutero e, mais tarde, de João Calvino, outro reformador e seu seguidor, eram de devolver ao Cristianismo a sua simplicidade original. Evidentemente, a nível doutrinal e teológico o Protestantismo apresenta diferenças em relação ao Catolicismo e à Ortodoxia sobretudo no que diz respeito aos sacramentos, ao culto e ao valor da Tradição.

Posto isto, mesmo que professem o seguimento de Jesus, Católicos, Ortodoxos e Protestantes, seguem caminhos com rumos diferentes contradizendo o apelo de Jesus. É como se Cristo estivesse dividido (Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio, 1).

O movimento ecuménico deve procurar a unidade de todos os que reconhecem Cristo como o fundamento da sua fé. Não é cair no uniformismo anulando as diferentes tradições cristãs e impor um único modo de celebrar e viver a fé, como se de uma fusão se tratasse. Isso não seria ecumenismo. O diálogo só é possível mediante a recusa do relativismo e do fundamentalismo, através da escuta de opiniões divergentes da nossa, da abertura a novas formas de ver e pensar o mundo e a fé, desde que ordenadas à verdade.

O ecumenismo tem como ideal a construção de uma grande família que partilha a fé comum em Jesus Cristo, valorizando tudo o que une as diversas Igrejas, numa busca sincera de caminhos para curar as feridas da separação, trabalhando em conjunto para a construção de um mundo melhor. Perdoar e reconhecer os próprios erros é condição fundamental para que cada Igreja se possa envolver positivamente no caminho ecuménico. Só assim é possível “que todos sejam um”.

 


Michael Fernandes, licenciado em Teologia e mestrando em Ciências Religiosas. Docente de EMRC.

Marcações: Formação, Ecumenismo

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