Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo

Como surgiu e qual o significado desta festa que marca o encerramento do ano litúrgico?

“Foi-me dado todo o poder no céu e na terra”(Mt 28, 18)

O papa Pio XI, na sua encíclica Quas primas (11 de dezembro de 1925), instituiu a festa litúrgica do Cristo Rei. Aliás, a maioria das suas encíclicas sublinham de uma maneira bastante acentuada a história da salvação entendida à escala das dimensões da humanidade e do universo inteiro. Cristo é o centro da humanidade e do universo. E o reino de Cristo é universal e o reconhecimento do seu poder régio deve trazer frutos de concórdia e de paz.

De forma a se poder perceber melhor o significado e o sentido da solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, façamos um breve percurso composto por dois momentos: 1- Jesus como rei; 2- O Reino de Deus.

Jesus como rei

Desde o seu nascimento Jesus é reconhecido como rei, como é demonstrado no episódio dos Magos. A adoração dos Magos é testemunho simbólico da realeza de Jesus: o ouro que oferecem ao menino revela que Ele é o rei cujo reinado não terá fim. Do mesmo modo, Jesus é reconhecido como rei aquando da sua entrada em Jerusalém, pouco tempo antes da sua Paixão. Este episódio surge como cumprimento da profecia de Zacarias 9,9: “eis que o teu rei vem a ti”. Jesus tinha plena consciência da sua realeza, mas negou sempre ser rei da forma como entendiam as pessoas. Jesus não era um rei no sentido político-temporal da palavra. Ele ensinou no que consistia a sua realeza pessoal através das seguintes palavras: “A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá” (Jo 18, 36). É precisamente na sua morte que se manifesta a verdadeira realeza de Cristo, pois, de acordo com as palavras do apologista Justino, no seu Diálogo com o Judeu Trifon, “o Senhor reinou desde o alto do madeiro” (n.36). Esta realeza de Jesus é consequência da sua própria divindade. Foi recebida do Pai e é uma realeza exercida em favor dos crentes que são chamados a nela participar um dia. O grande poder de Jesus Cristo Rei é o “poder do Amor, que do mal sabe obter o bem, enternecer um coração endurecido, levar paz ao conflito mais áspero,  acender  a  esperança  na  escuridão mais  cerrada” (Bento XVI, Angelus 22 de novembro 2009).

O Reino de Deus

No que consiste este Reino de Deus? Como vimos anteriormente, o Reino que Jesus anuncia não é um reino de direita ou de esquerda baseada em triunfalismos político-governamentais. Jesus é um rei cuja coroa são espinhos, o seu manto é um farrapo de escarlate e o seu trono é a cruz. O Reino de Jesus não é baseado nos modelos mundanos, não se impõe pela força e pelas armas. É um Reino que provém do amor e da misericórdia de Deus. O Reino que Jesus vem inaugurar gira em torno da lógica de Deus e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha e no dom da vida. Este Reino é chamado a expandir-se pelo mundo. Onde poderemos encontrar este Reino? Onde estiver o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. O Reino de Jesus deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: as relações entre pessoas e povos, a nossa vida afectiva, a nossa moral pessoal e comunitária. “De facto, o reino de Cristo não é deste mundo, mas realiza todo o bem que, graças a Deus, existe no homem e na história. Se pomos em prática o amor ao nosso próximo, segundo a mensagem evangélica, então fazemos espaço para o senhorio de Deus, e o seu reino realiza-se no meio de nós. Se ao contrário, cada um pensa só nos próprios interesses, o mundo vai inevitavelmente em ruínas” (Bento XVI, Angelus 23 de novembro 2008).

Assim, a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo (que também marca o fim do ano litúrgico) é um momento oportuno para  proclamar que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos. Esta festa convida-nos a dirigir o olhar em direcção ao futuro, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo. Ao rezar o Pai-nosso, pronunciando as palavras "venha a nós o vosso reino", colocamos o nosso coração nas mãos de Jesus pedindo que sejamos d’Ele, para que Ele viva em nós, para que a humanidade dispersa seja toda ela reunida e para que através d’Ele nos unamos ao Pai da misericórdia e do amor.

Marcações: Formação

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