Comunicar como Francisco comunica

"partilhar a experiência de vida, contar uma pequena história, é falar de cor, que significa, literalmente, saber “de coração"

  1. Diz-nos uma formulação clássica que os propósitos devem obedecer à regras dos “3 p’s”: Poucos, Pequenos e Possíveis. No início de novo ano, com tantos votos, desejos e propósitos formulados na passagem de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro, assenta como luva formular alguns propósitos no âmbito da comunicação da Igreja. Porém não formularei três propósitos ou desejos, se preferirem, nem dois, mas apenas um. E basta! Digo-o razões pessoais, mais do que qualquer outra coisa. Pessoalmente formulei um único propósito, aliás, prometi a mim mesmo ir ao ginásio logo no início do ano e até ao momento não pus lá os pés. Como diz o povo: de boas intenções — leia-se propósitos — está o inferno cheio. O meu desejo, do qual faço propósito, é comunicar como Francisco comunica.

  2. Comunicar com estilo do Papa Francisco é, nas palavras do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, usar uma «linguagem simples, acessível a todos, feita de frases breves, poucas subordinadas com vocábulos ordinários e a repetição das palavras chave». É partilhar a experiência de vida, contar uma pequena história, é falar de cor, que significa, literalmente, saber “de coração”. Como diz o Talmud «O que sai do coração, entra no coração». Por isso, diz-nos o cardeal, «Parece-me que seja precisamente o caso do Papa Francisco: nós sentimos que do coração deste Pastor brota algo de muito profundo a propósito de Deus, da vida, da Igreja, do homem. E brota de modo muito directo, envolvendo de imediato as pessoas (…) acima de tudo, o falar do papa Bergoglio é um sermo humilis, que o sue mestre por excelência, santo Agostinho, definia com dois termos “útil” e “adequado”. Sermo humilis, de facto, significa falar a todos, ter presente a universalidade e, ao mesmo tempo, a contemporaneidade, o futuro do mundo. É a linguagem evangélica, a linguagem das Escrituras: a sabedoria de apresentar conteúdos elevados (e susceptíveis de múltiplas interpretações) fazendo uso de um léxico e de imagens fortes porque próximas da vida quotidiana».

  3. Assim aconteceu no último discurso do Papa no encontro com os jovens chilenos, no Santuário Nacional de Maipú, quando, só a titulo de exemplo, diz-lhes: «há momentos em que, sem nos darmos conta, começa a reduzir-se a nossa largura de banda» e pouco a pouco começa-se a perder aquele entusiasmo, aquele querer permanecer ligados a Jesus, e começa-se a ficar sem conexão, sem bateria, e então apodera-se de nós o mau humor, sentimo-nos descoroçoados, tristes, sem força, e começamos a ver tudo negativo. Quando ficamos sem esta “conexão” que é a que dá vida aos nossos sonhos, o coração começa a perder força, a ficar também ele sem bateria e – como diz a canção – “o rumor à nossa volta e a solidão da cidade isolam-nos de tudo. O mundo que gira às avessas procura submergir-me nele afogando as minhas ideias”».
    É toda uma linguagem contemporânea, universal, conhecida e adequada aos jovens: largura de banda, bateria, conexão, e, cereja no topo do bolo, cita a estrofe de uma canção por eles conhecida.

  4. Há um verbo que resume tudo quanto foi dito: incarnar. Essa é a razão pela qual Francisco é um de nós, cá de casa. É cá de casa porque, como Jesus, incarna, faz-se próximo, faz-se um de nós.
    Eis um desejo, um propósito, para, quem sabe, um plano de comunicação para a Igreja em Portugal.

 

Marcações: Francisco, Comunicação e Media

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