100ESPERANÇA

Há muitos, muitos anos, uma menina que vivia numa família humilde, cresceu ouvindo a sua mãe dizer-lhe o quão importante era ter uma família unida, que se protegesse em relação às adversidades externas.

Nessa altura era raro ouvir-se falar de situações de separação ou divórcio. Por várias razões, os casamentos perduravam no tempo e a fidelidade ao compromisso assumido (amar-se na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza) permitia celebrar as bodas de prata, de ouro... bem, às de diamante chegavam apenas aqueles com saúde de ferro... Tenho a consciência que nem todas as situações viviam o amor e a serenidade que requer a união do casal, e acabavam por se resignar à sua condição para não provocar escândalo. Algumas delas até escondiam situações de muita dor e sofrimento.

Passados alguns anos, essa menina cresceu e formou a sua própria família, imbuída dos valores cristãos, acompanhada de muitas dúvidas e incertezas, batalhas matinais na hora de acordar os filhos, gerir as discussões entre eles, não se deixar levar pela rotina do dia-a-dia e esquecer a atenção ao marido, ir percebendo qual o sonho de Deus para si própria e para o projeto comum da sua família.

Nestes anos que intermediaram um momento e outro a sociedade em que crescia foi-se transformando. A relação das pessoas com a Igreja, a forma como as pessoas passam a ver Deus e a viver Deus na sua vida, na sua generalidade passou a ser muito mais distante. Com ou sem relação direta entre uma coisa e outra, também as situações de separação passaram a ser mais comuns, e consequentemente, é mais comum o número de crianças que cresce em duas casas, com dois quartos, com dias contados para ir à casa do pai e à casa da mãe. Provavelmente esta será a tua situação. Ou então estarás a viver já a fase em que já podes escolher a casa onde vives e o quarto que queres para ti.

Por este motivo, alguns jovens tendem a manifestar a sua incredulidade em relações estáveis e duradouras. Para além de que a “cultura atual” quase que educa para uma cultura da “própria satisfação”, o “próprio bem-estar” esquecendo que a satisfação do eu não pode, nem deve, ser construída à custa da infelicidade dos outros.

Neste momento essa esposa e mãe sente-se pertencer a uma minoria. Que quer educar os filhos para serem grandes amigos e seguidores de Jesus, por isso os batizou e os leva à Igreja, comunidade dos cristãos, todos os domingos.

Na Exortação Apostólica Amoris laetitia, nos números 34 e 35, o Papa Francisco aponta como uma das possíveis causas para esta situação o seguinte: “No fundo, hoje é fácil confundir a liberdade genuína com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se, para além dos indivíduos, não houvesse verdades, valores, princípios que nos guiam, como se fosse igual e tudo se devesse permitir.”

Algumas vozes mais derrotistas ou SEM ESPERANÇA diriam que esta tendência poderá terminar muito mal, porque as crianças e os jovens, tendencialmente, irão ser repetidores do que vivem e do que experimentam em casa. Mas não é esta a atitude a que nos convida o Papa. Ele diz-nos, logo depois: “Como cristãos, não podemos renunciar a propor um matrimónio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral humano; estaríamos a privar o mundo dos valores que podemos e devemos oferecer.”

Aos jovens cristãos de hoje, que namoram ou que sentem que a sua vocação passa pela formação de uma família, cabe a tarefa de ir preparando desde já esse futuro e refletir que alegrias irão viver, que tristezas poderão surgir, em caso de doença como reagir, nas inseguranças o que fazer, nas dificuldades como ultrapassar... sempre com 100% de ESPERANÇA e confiança no nosso Pai que nos acompanha, que nos transmite sabedoria, que nos consola e nos ensina a ser misericordiosos.

Termino com um excerto do número 219 da Alegria do Amor: “No noivado e nos primeiros anos de matrimónio, é a esperança que tem em si a força do fermento, que faz olhar para além das contradições, conflitos, contingências, que sempre faz ver mais além; é ela que põe em movimento a ânsia de se manter num caminho de crescimento. A mesma esperança convida-nos a viver em cheio o presente, colocando o coração na vida familiar, porque a melhor forma de preparar e consolidar o futuro é viver bem o presente.”

Marcações: Família

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