O amor é prestável, não uma prestação de serviços

A sociedade atual empurra-nos para práticas e usos nada próximos dos valores da gratuidade e do serviço desinteressado e livre como aquele que nos foi exemplificado por Jesus.

A economia desde cedo ensina que “não há almoços grátis” e que tudo tem um custo associado. Até quando se concebem projetos em que algo é oferecido, por exemplo, a utilização de um espaço de forma gratuita, esse tempo e espaço oferecidos têm que ser contabilizados num valor real e concreto em euros a que chamamos custo; a essa relação chama-se parceria... 

Eu sonho com o dia em que nestes casos e simplifcados os processos, se possa chamar ao valor do custo amor e à relação de parceria estabelecida amor.
Algumas vezes, até mesmo quando estamos inseridos em algum Ministério da Igreja, nos nossos grupos de Jovens, em algum projeto de voluntariado, e realizamos as nossas atividades de forma gratuita, caímos na tentação de esperar que nos agradeçam, que nos façam um elogio ou de entristecer se nenhuma dessas situações ocorrer. Para mim, a resposta a este desejo de agraciação é: “Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer” Lc 17, 10.

Além do próprio Jesus que entrega a Sua Vida a troco de nada para si, a troco da incerteza trazida pelo respeito à nossa liberdade, penso também no exemplo claro e óbvio da Santa Teresa de Calcutá. Recordo um episódio já bastante conhecido:

“Certa vez, um argentário banqueiro foi visitar a casa onde Madre Tereza cuidava dos enfermos e ficou observando a dedicação, o cuidado e o carinho dela para com todos. Depois de algum tempo, ele aproximou-se de Madre Tereza, que fazia um curativo em um homem muito doente, e disse: - Irmã, eu não faria isso por dinheiro nenhum do mundo! Ela olhou para ele, sorriu em silêncio, e falou baixinho: - Nem eu, meu filho.”

O problema maior é quando trazemos para o seio familiar este tipo de tentação. Uma coisa é sermos pessoas educadas que sabem reconhecer o bem que o outro nos faz e ensinamos os nossos filhos a agradecer. Outra coisa é fazer dessa atitude uma exigência para tudo o que fazemos. Até somos capazes de jogar à cara do outro, mas eu fiz isto, e isto, e isto... Como que a reclamar direitos ou recompensas. Quando a atitude a ter é precisamente outra.

No número 94 da Alegria do Amor, ainda fazendo referência ao hino à caridade escrito por São Paulo, o Papa Francisco diz-nos que “o amor não é apenas um sentimento, mas deve ser entendido no sentido que o verbo«amar» tem em hebraico: «fazer o bem». Como dizia Santo Inácio de Loiola, «o amor deve ser colocado mais nas obras do que nas palavras»” e ainda que esta atitude permite “experimentar a felicidade de dar, a nobreza e a grandeza de doar-se superabundantemente, sem calcular nem reclamar pagamento, mas apenas pelo prazer de dar e servir.”

Não é à toa que, nos desafios ou compromissos para o advento e quaresma, é comum aparecer algo do género: põe a mesa sem que saibam que foste tu... Teremos que nos ficar por esses tempos fortes ou será que os podemos trazer para o dia-a-dia na nossa vida.

Marcações: Família

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