A Mãe...

Caros amigos, enquanto pensava no tema para esta edição d’A Papinha Feita, veio-me logo à ideia a Mensagem de Francisco para o Dia Mundial da Paz 2018, sob o tema Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz.

A mensagem que Francisco nos deixou interpela-nos a todos e é um caso de séria reflexão. No entanto, acredito que teremos oportunidade de voltar a ela mais tarde.

Quando ouvi a Homilia de Francisco nesse mesmo dia Mundial da Paz 2018, Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, percebi que teria de escolher esse texto para reflexão nesta edição da GODzine.

Ora, “O Ano tem início sob o nome da Mãe de Deus (….) É a alegria de saber que a nossa solidão está vencida. É a maravilha de nos sabermos filhos amados, de sabermos que esta nossa infância nunca mais nos poderá ser tirada. É espelharmo-nos em Deus frágil e menino nos braços da Mãe e vermos que a humanidade é querida e sagrada para o Senhor. Por isso, servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incómoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada.”

Muitas vezes sou egoísta e invento muitas desculpas para não servir como Deus me pede e como Maria me ensinou. Vejo Deus no outro? Sirvo quem está ao meu lado percebendo que é a Deus que estou a servir? Sirvo os irmãos doentes?

“O Deus, na presença de Quem se guarda silêncio, é um menino que não fala. A sua majestade é sem palavras, o seu mistério de amor desvenda-se na pequenez. Esta pequenez silenciosa é a linguagem da sua realeza. A Mãe associa-Se ao Filho e guarda no silêncio.
(…)
“E o silêncio diz-nos que também nós, se nos quisermos guardar a nós mesmos, precisamos de silêncio. Precisamos de permanecer em silêncio, olhando o presépio. Porque, diante do presépio, nos redescobrimos amados; saboreamos o sentido genuíno da vida. E, olhando em silêncio, deixamos que Jesus fale ao nosso coração: deixamos que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, que a sua pobreza desinquiete as nossas sumptuosidades, que a sua ternura revolva o nosso coração insensível. Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia.”
(…)
Esta é, para os jovens de hoje e para cada um de nós, uma grande dificuldade. Eu consigo fazer silêncio? Ouço a voz de Deus? No meio das redes sociais, do feed do Facebook, dos likes, das constantes stories do instagram sinto-me livre? Sou capaz de as deixar de lado e reservar um tempo de silêncio para Deus? Para deixar que Jesus me fale ao coração?

“Também nós – cristãos em caminho –, ao princípio do Ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os pesos do passado e partir do que é importante. Temos hoje diante de nós o ponto de partida: a Mãe de Deus. Pois Maria é como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: Mãe terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no coração e o próximo na vida. Para recomeçar, ponhamos os olhos na Mãe. No seu coração, bate o coração da Igreja. Para avançar – diz-nos a festa de hoje –, é preciso recuar: recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços.”
(…)
Olhando para a Mãe, somos encorajados a deixar tantas bagatelas inúteis e reencontrar aquilo que conta. (….) Porque a fé não se pode reduzir apenas a ideia ou a doutrina; precisamos, todos, de um coração de mãe que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpitações do homem.
Que no inicio deste ano de 2018, no meio das tão em voga resoluções de ano novo, esta possa ser uma resolução verdadeiramente a cumprir: deixar tantas bagatelas inúteis e reencontrar aquilo que conta, tendo por exemplo Maria.

Bom ano de 2018!

Marcações: PAPInha Feita

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