Ir. Cristina lança Like a Virgin como single do seu primeiro CD

Em entrevista ao jornal Avvenire, Cristina falou abertamente sobre o seu percurso e a sua missão

A Ir. Cristina, vencedora da versão italiana do The Voice, apresentou hoje, dia 20 de outubro, o primeiro single do novo álbum que será lançado mundialmente no dia 11 de novembro. E a escolha já está a dar que falar, ou não fosse uma versão da música Like a Virgin de Madonna.

Do CD constam também Try, Like a virgin, Somewhere Only We Know, Blessed be Your Name, Fix you, No One, I Surrender, True Colors, Price Tag e Perto, Longe ou Depois (Ordinary world), além de dois originais: Fallin' Free e L'amore vincerà.

Em entrevista ao jornal italiano Avvenire, a Ir. Cristina falou abertamente sobre o seu percurso desde que ganhou o The Voice, sobre o CD e mostra-se consciente da polémica que esta escolha pode causar.

O que lhe veio à mente para cantar Like a Virgin de Madonna?

Foi uma escolha minha, sem qualquer intenção de provocar ou chocar. Lendo a letra, e sem me deixar influenciar pela versão existente, percebi que é uma música sobre a capacidade do Amor em transformar as pessoas, de resgatá-los de seu passado. E é dessa forma que eu queria interpretá-la. Para isso, afastei-me da versão pop que foi, e transformei-a numa balada romântica um pouco ao estilo de Amos Lee. O resultado é algo mais parecido com uma oração do que com uma música pop.

Dessa forma parece estar a falar sobre o Cântico dos Cânticos...

Do ponto de vista poético, a canção refere-se a uma tradição ampla, que inclui muitos textos importantes. No entanto, eu estou pronta para qualquer crítica porque este álbum foi feito com muito profissionalismo e honestidade.

A Madonna já ouviu a música?

Não, mas eu adoraria ver a cara dela quando a escutasse e lhe dissessem que é uma freira que canta.

Como se sente ao saber que em todo o mundo, da Austrália às Filipinas, da América do Sul a Nova Iorque, centenas de milhares de pessoas aguardam pelo seu álbum?

Ainda não pensei nisso. Até porque não depende de mim tudo o que aconteceu. Eu ainda não tenho noção do que está acontecendo. Sinto-me pequena diante disto. Tenho 26 anos de idade, ainda sou nova. Mas sei que tenho uma grande responsabilidade e devo dar testemunho. E eu gosto disso. Estou entusiasmada por ter encontrado Cristo e gostaria que todos O conhecessem.

Alguma vez se arrependeu de ter participado no The Voice que a lançou, mas também mudou completamente a sua vida, fazendo de si uma estrela?

Às vezes, sim. Especialmente quando, depois de vencer, senti uma curiosidade quase mórbida por parte dos meios de comunicação social. Alguns fotógrafos seguiam-me por toda parte. Quase tive que "fazer o pino" para ir à missa sem ser descoberta.

Como tem sido capaz de suportar a pressão dos fãs e dos jornalistas, e as críticas que choveram sobre si?

Depois da vitória no The Voice, desliguei a ficha. Fechei-me aqui na comunidade, calei-me e rezei muito. Concentrei-me no facto de que tinha que renovar os meus votos, que é a coisa mais importante para mim, para proteger a minha vida espiritual.

Talvez porque é primeira vez que isto acontece, mas não é fácil habituarmo-nos à ideia de uma freira que é, ao mesmo tempo, uma pop star mundial.

Nem para mim é fácil. A única coisa que me fez, e me faz manter, os pés no chão é pertencer a uma comunidade que me ajuda e me protege, relembrando-me que sou um instrumento nas mãos de Deus, e não uma estrela pop. Eu sei que é difícil de acreditar, mas se eu me pudesse esconder, fá-lo-ia de bom grado. Eu sou insegura e tenho medo. No palco, posso parecer muito segura, mas nos bastidores tremo como uma folha.

Mas então porque é que, em vez de se afastar de tudo isto, decidiu fazer um lançamento mundial, fazendo escolhas inevitavelmente polémicas?

Porque eu tenho um grande dom: a minha voz. E eu não posso esconder isso, eu tenho que que a usar ao serviço de algo maior, para a comunidade. O meu lado inseguro ajuda-me - juntamente com as irmãs - a ficar sempre dez passos trás e a não perder a cabeça.

Mas como é que um dom pode permanecer puro, quando se cruza inevitavelmente com negócios, dinheiro e sucesso?

É preciso perseverar a cada dia. Por isso tento olhar para tudo isto com distanciamento e, rezo muito.

Um álbum com lançamento mundial também significa lucros maiores. A sua congregação também inclui votos de pobreza. Quem vai gerir esses lucros e para que fim o dinheiro será?

Por agora ainda não há lucro. Se e quando os lucros chegarem, eu não terei dúvidas de que os vamos usar para subsidiar os projetos da congregação, entre os quais a nossa casa no Brasil, mas também para um projeto na minha Sicília, onde há muita pobreza. Gostaria muito de ajudar outras instituições também. Em qualquer caso, qualquer que seja a escolha, vou faze-la com toda a congregação.

Acha que isso será suficiente para mudar a mente daqueles que a criticam dizendo que uma freira não deve estar na TV.

A melhor resposta para aqueles que pensam isso, não sou eu, mas o Papa Francisco que a dá. A Igreja, como ele nos mostra, está viva. Deve sair, ir ao encontro das pessoas. E todos devemos colocar os nossos talentos ao serviço da comunidade, correndo o risco de ir contra a corrente.

Já conheceu ou falou, nem que seja ao telefone, com o Papa Francisco?

Não, mas mal posso esperar para conhecê-lo. Gostaria que me desse a sua bênção e uma espécie de "mandado oficial" para ir a todo o mundo cantar.

A Ir. Cristina dava catequese na paróquia. Como é que as crianças a conseguem ver como uma "freira real" e não como a Ir. Cristina do The Voice?

É difícil. Fico triste que tantos me vejam como "famosa", mas eu sei que, graças à minha presença na televisão, também é passada uma mensagem muito importante, como quando pedi a todos para rezarmos o Pai Nosso no The Voice.

O ano de 2015 será o ano dedicado à vida consagrada. Sente-se uma ferramenta importante para revelar a beleza da vida consagrada ou a sua reputação poderia, paradoxalmente, tornar-se tão pesada a ponto de ser um fator negativo?

Eu sinto-me um humilde instrumento. Espero ser capaz de ser útil à Igreja num ano tão importante para a vida consagrada. Já fiz uma proposta para participar num evento no Vaticano e se o considerarem útil, vou ser feliz por dar o meu contributo.

Desculpe-me se insisto, mas porque escolheu incluir a música Like a Virgin neste CD? Foi uma opção da editora?

Não. Eu fui livre nas escolhas que fiz. Claro que, como em todas as parcerias, chegámos um consenso, mas esta canção fui eu que decidi, e estou feliz também com o videoclip que gravámos em Veneza (tal como fez Madonna na sua versão de Like a Virgin). Queríamos transmitir serenidade e poesia. Acredito que fomos bem-sucedidos.

Receio de que as primeiras reações ao seu Like a Virgin não serão tão serenas como a música. Para dizer a verdade: eu não queria estar no seu lugar...

Eu sei o que vão dizer, e sei que isso é só o começo. Mas eu estou calma e tranquila.

Marcações: Música Cristã

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